A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Alvaiázere (AHBVA) assinalou o 72º aniversário, a 11 de Março, numa cerimónia que ficou marcada pela condecoração de José Tiago Guerreiro, com o Crachá de Ouro da Liga dos Bombeiros Portugueses, e de Celestino Brás, com a Medalha de Mérito Municipal.

"Hoje chegou o dia de agradecer a um bombeiro sem farda, pelos mais de 30 anos de dedicação a esta casa", afirmou o representante da Liga dos Bombeiros Portugueses, explicando que a Liga recebeu uma proposta remetida pelo presidente da direção e pelo comandante, no sentido de ser atribuída uma das mais altas distinções dos bombeiros portugueses que é o Crachá de Ouro dos Bombeiros Portugueses.

José Tiago Guerreiro, presidente da Assembleia-geral da AHBVA, tomou a palavra para recordar que "há mais de 40 anos que sirvo esta associação", revelando que "foi com alguma surpresa e emoção que recebi esta insígnia". Apesar de tudo o que tem feito pela AHBVA, José Tiago Guerreiro preferiu destacar no seu discurso "o corpo ativo disciplinado, motivado e competente que temos", lembrando que os bombeiros "tudo fazem sem procura de notoriedade, mas que no socorro a dar são sempre os primeiros".

Celestino Brás, capelão da AHBVA, também foi condecorado, desta feita com a Medalha de Mérito Municipal. O presidente da Câmara Municipal de Alvaiázere e presidente da direção da AHBVA, Paulo Tito Morgado, justificou "a primeira Medalha de Mérito Municipal até hoje atribuída a alguém de Alvaiázere" pelos "mais de 40 anos que foi um homem que sempre, de forma muito veemente e muito firme, muito honrada mas também muito humilde, deu o corpo ao manifesto, deu a cara e tudo o que tinha por esta associação". Celestino Brás agradeceu a condecoração, explicando que "só fiz aquilo que devia fazer e o que devia fazer era entregar-me de alma e coração à associação e a todas as causas que sirvam para o progresso e para o bem-estar desta freguesia e deste concelho".

Mas as condecorações não ficaram por aqui. Durante as comemorações do 72º aniversário da AHBVA foram igualmente condecorados os bombeiros com cinco anos de serviço.

Dando seguimento à cerimónia, o Comandante da AHBVA, Vítor Joaquim, lembrou algumas das dificuldades com que os bombeiros se têm defrontado, salientando que só durante o ano de 2012 "já registámos 14 ocorrências de incêndios florestais, o triplo comparando com igual período do ano passado", acrescentando que "com o decorrer das condições climatéricas poderá vislumbrar-se um ano de muito trabalho".

"Os bombeiros hoje estão a viver outra vez tempos muito difíceis", referiu o representante da Liga dos Bombeiros Portugueses, que também aponta "as questões climatéricas que o país está a passar" como um problema que "provoca despesas excepcionais".

Igualmente consciente de que "estamos a atravessar condições atípicas" e que atualmente "somos confrontados com condições atmosféricas completamente alteradas", o representante da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), Carlos Guerra, elogiou o "excelente contributo" dos corpos de bombeiros do distrito que "têm respondido a todas as ocorrências com um grau de capacidade e profissionalismo que não se esperava". Para fazer face a estas condições meteorológicas adversas e à sobrecarga com o aumento de incêndios florestais, a ANPC decidiu que, a partir de janeiro deste ano, "todo o combustível gasto no combate a incêndios florestais passam a ser suportados pela ANPC", informou Carlos Guerra.

Mas não são apenas as condições climatéricas anormais para esta época do ano que preocupam Vítor Joaquim, pois a retirada dos poucos apoios que os bombeiros tinham também colocam em causa o voluntariado. "Não poderei deixar de manifestar o meu receio referente ao voluntariado", referiu o comandante da corporação de Alvaiázere, adiantando que por enquanto a corporação ainda não sente a "escassez de meios humanos". Contudo, a atual conjuntura, à qual nem os bombeiros ficam ilesos, pode condicionar o incentivo ao voluntariado, devido "à perca dos poucos apoios que nos têm sido dados ao longo destes anos, nomeadamente no que toca às taxas moderadoras", referiu Vítor Joaquim, concluindo que "neste momento, os bombeiros voluntários quase têm de pagar para serem voluntários".

O representante da Liga dos Bombeiros Portugueses lamentou que aos bombeiros "muito se exige e pouco se retribui" e lembrou que os bombeiros "são os únicos voluntários neste país que para serem voluntários é lhes exigido tempo de serviço", pois "têm de dar 270 horas por ano do seu tempo, sob pena de passarem ao quadro de reserva e deixarem de ser bombeiros".

Igualmente consciente dos poucos apoios que os voluntários dispõem, Paulo Tito Morgado continua a defender que "esta casa foi fundada na chancela do voluntariado e, na minha convicção, é assim que deve continuar", argumentando que "o voluntariado é seguramente também a pedra basilar da formação, personalidade e carácter dos nossos jovens, dos infantes e dos cadetes aqui presentes".

Outro dos problemas que afetam as associações de bombeiros são o transporte de doentes não urgentes, que "constituía o fundo de tesouraria das associações", considerou o representante da Liga dos Bombeiros Portugueses, adiantando que "aquilo que se avizinha não é bom" e "vem dificultar a vida aos bombeiros". O novo modelo de gestão de transporte de doentes que o governo aprovou recentemente "vem introduzir no transporte de doentes não urgentes um factor completamente absurdo, que é veículos que possam fazer tudo e mais alguma coisa, possam também fazer transporte de doentes". No entanto, para o representante da Liga dos Bombeiros Portugueses "isto é o quebrar de toda uma tradição de prestar um serviço de qualidades aos doentes portugueses, ao introduzir uma outra viatura de transporte de doentes sem nos dar garantia de qualidade".

"A Federação está atenta e está a trabalhar para apresentar respostas concretas para a Liga dos Bombeiros Portugueses", tranquilizou o presidente da Federação de Bombeiros do Distrito de Leiria, Mário Cerol. Na sua intervenção, Mário Cerol ainda elogiou o corpo ativo de Alvaiázere, afirmando que "é um corpo de bombeiros extremamente bem comandado, disciplinado e competente".

Fonte: O Alvaiazerense

 
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