Após decisão inevitável da Câmara Municipal de Abrantes de cessar, por imperativo jurídico, a compensação de dois euros por hora ao regime de voluntariado, é forçoso manifestar a preocupação com a qualidade da prestação de socorro à população do concelho.

A responsabilidade deste Corpo é vasta desde a base até às chefias, obrigando a um trabalho de equipa, onde é exigida formação específica e exigente a todos os elementos do Corpo de Bombeiros, existindo um esforço quotidiano para prestação de serviço dentro do maior profissionalismo que a função exige.

O trabalho silencioso efetuado por todos os membros deste corpo é preponderante na qualidade de vida da população na sua área de intervenção, sendo dois terços do Corpo em regime de voluntariado.

Com a cessação da compensação, por motivos de força maior, além dos casos de emergência social que este caso poderá provocar nalguns elementos do próprio Corpo, a prestação de assistência devida à população poderá estar em risco.

O sacrifício exigido a todos os elementos voluntários, equiparado a um qualquer profissional, tem sido pronto na resposta. Contudo, a dignidade humana colocada em causa levanta grande preocupação aos seus elementos.

Prestar serviço num Corpo misto, onde convivem profissionais, assistentes operacionais e voluntários, exige um nível de sentimento de equidade que está posto em causa.

Acima do dever, existe o elemento pessoal que determina o coletivo, por muito espírito de sacrifício que exista.

Com este convite ao êxodo dos voluntários é inevitável quebras graves na prestação de socorro, colocando vidas em risco de forma desnecessária.

É de direito o respeito por aqueles que prestam serviço com risco de vida em prol do próximo, em cargas horárias extensas e elevado sacrifício familiar para cumprir os serviços operacionais.

Com o fim desta pequena compensação financeira que minimizava o sacrifício pessoal, a formação altamente avançada existente, era o mínimo para um trabalho de rigor que, reforçamos, é devido a quaisquer seres humanos e bens.

Manifestamos a vontade de manter o mínimo de serviço exigido por lei, por sentido de dever, mas vislumbramos uma espiral de degradação severa do socorro e segurança da população.

Não estando contra a autarquia, que comprovou que fez os possíveis para atenuar esta situação, lamentamos toda a situação que coloca em causa bens essenciais num estado de direito.

Abrantes, 4 de Março de 2012
Os elementos do Corpo Ativo do Corpo de Bombeiros Municipais de Abrantes

 
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